A Dor Real: Quando o Kubernetes Te Cobra a Fatura
O problema não é o Kubernetes. O problema é usar Kubernetes para resolver problemas que você ainda nem sabe se existem. A maioria dos times descobre do pior jeito que **15 microserviços altamente acoplados escalam a complexidade antes de escalar o negócio**.
É o clássico: o time migra para microserviços antes de dominar observabilidade, delivery consistente, padrões de comunicação e testes decentes. Resultado: uma esteira cheia de YAML, um cluster que vive quebrando e decisões arquiteturais tomadas pelo hype, não pelo contexto.
Microserviços exigem maturidade. Kubernetes exige ainda mais. Juntar os dois sem preparação é pedir para virar bombeiro full-time.
A Solução Pragmática: Reduzir a Complexidade Antes de Orquestrar
O caminho é simples de entender (não necessariamente fácil de executar): **padronizar, automatizar e cortar o excesso**. Nada de inventar arquiteturas esotéricas. Nada de plugin experimental. Nada de CRD que só uma pessoa no time sabe mexer.
O time precisa dominar:
- observabilidade básica (logs estruturados, métricas, traces)
- pipelines consistentes de build e deploy
- boas práticas de healthcheck, liveness e readiness
- contratos de API bem definidos (OpenAPI, não achismos)
Sem isso, Kubernetes só vai amplificar o caos.
Implementação de Sênior: O Mínimo Viável Bem Feito
A seguir, um exemplo direto de como um microserviço saudável deve expor um contrato OpenAPI e estar pronto para rodar em Kubernetes sem gambiarras.
// openapi.yaml - Contrato real, não placebo
openapi: 3.0.3
info:
title: PedidoService API
version: 1.0.0
paths:
/pedidos:
get:
summary: Lista pedidos
responses:
'200':
description: OK
post:
summary: Cria pedido
requestBody:
required: true
content:
application/json:
schema:
$ref: '#/components/schemas/NovoPedido'
responses:
'201':
description: Criado
components:
schemas:
NovoPedido:
type: object
required: [clienteId, itens]
properties:
clienteId:
type: string
itens:
type: array
items:
type: string
E aqui um Deployment Kubernetes simples, funcional e sem firula:
apiVersion: apps/v1
kind: Deployment
metadata:
name: pedido-service
spec:
replicas: 2
selector:
matchLabels:
app: pedido-service
template:
metadata:
labels:
app: pedido-service
spec:
containers:
- name: pedido-service
image: registry.dev/pedido-service:1.0.0
ports:
- containerPort: 8080
readinessProbe:
httpGet:
path: /healthz
port: 8080
initialDelaySeconds: 3
periodSeconds: 5
Direto das Trincheiras: 3 Dicas que Evitam o Caos
- **Não quebre para microserviços antes de medir o acoplamento atual.** Time que não domina boundaries vira refém de network debugging.
- **Nunca suba um microserviço sem healthchecks reais.** Você vai sofrer com rollouts zumbi.
- **Automatize tudo que for repetitivo.** YAML manual repetido é fábrica de erro humano.
O Custo da Escolha: Kubernetes Não é de Graça
Optar por microserviços em Kubernetes implica aceitar novos custos:
- mais peças para gerenciar
- mais pontos de falha
- mais dependência em observabilidade
- mais maturidade exigida do time
Por outro lado, ignorar Kubernetes quando realmente se precisa de escala operacional cria um monolito que vira gargalo e trava crescimento do produto.
Não existe escolha sem trade-off. Existe escolha sem consciência — e essa é a mais perigosa.
Fontes Consultadas
O mito de que “Kubernetes é complexo” é enganoso e precisa …, Shift-Left – RotaDefault, O que é complexidade para você? : r/ExperiencedDevs – Reddit
Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!
Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descascamos outros hypes da nossa área.
Valeu e até a próxima! 😉


