Onde Tudo Dá Errado: O Custo Invisível do ‘Schema-Free’
MongoDB seduz: JSON direto, flexibilidade total, deploy fácil. E é aí que muita gente se queima. Quando você deixa o schema na mão do time, o documento vira um carnaval. Campos faltando, tipos diferentes, coleções desviando regras de negócio sem ninguém perceber.
O problema real? Em aplicações críticas — antifraude, financeiro, supply chain — inconsistência não é bug: é impacto direto no negócio.
E quando escala? A festa termina. Sharding exige domínio profundo do manual do MongoDB e planejamento prévio. Escolheu a shard key errada? Prepare-se para reindexar clusters gigantes com downtime disfarçado de “manutenção programada”.
Como Entregar Confiabilidade com MongoDB Sem Brincar com o Risco
A solução não é demonizar MongoDB. É usá-lo com disciplina. Escreva o schema fora da cabeça do time: valide com rigor.
Ferramentas que funcionam:
- MongoDB Schema Validation
- Camadas de modelagem com Mongoose ou Zod + drivers nativos
- Índices obrigatórios e TTLs bem definidos
MongoDB funciona em produção crítica, mas só funciona com limite.
Implementação de Sênior: Schema Validation de Verdade
Exemplo direto com validação nativa do MongoDB — nada de abstração gourmet.
db.createCollection("transacoes", {
validator: {
$jsonSchema: {
bsonType: "object",
required: ["id", "valor", "status", "criado_em"],
properties: {
id: { bsonType: "string" },
valor: { bsonType: "double", minimum: 0 },
status: { enum: ["pendente", "confirmada", "cancelada"] },
criado_em: { bsonType: "date" }
}
}
},
validationLevel: "strict"
});
Isso não é opcional em produção crítica. Isso é o mínimo para evitar documentos zumbis causando anomalias.
Direto das Trincheiras
- Flexibilidade é linda até o terceiro microserviço falar uma língua diferente. Valide tudo.
- Shard key não é chute. Teste padrões de acesso reais antes de subir para produção.
- Backups são lentos e pesados. Planeje janelas e restaurações reais — não apenas scripts.
O Preço da Decisão: Usar ou Não Usar MongoDB
Quando usar: protótipos, catálogos, eventos, dados sem transações duras, workloads de leitura desbalanceada.
Quando evitar: finanças, auditoria rígida, workflows transacionais, integrações que dependem de consistência ACID forte.
Escolher MongoDB é sim um risco — mas risco calculado. A pergunta é: seu time sabe calcular?
Fontes
Fragmentação – Manual do banco de dados – MongoDB Docs,
[Akitando] #49 – Devo usar NOSQL? | ENDGAME
Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!
Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descascamos outros hypes da nossa área.
Valeu e até a próxima! 😉


