Kubernetes: Quando a Promessa de Escala Vira Dívida Técnica em Microserviços

A Dor Real: O dia em que o cluster virou o seu maior inimigo

Microserviços já são complicados por natureza. Agora junte isso com um Kubernetes mal planejado e você cria um monstro corporativo que ninguém controla. **A promessa de elasticidade vira uma fábrica de incidentes.**

O que vejo nas trincheiras é simples: times adotam Kubernetes achando que é “só subir os YAMLs”. Mas esquecem que cada microserviço precisa de:

  • Política de rede
  • Gerenciamento de secrets
  • Health checks bem escritos
  • Requests/limits realistas
  • Banco de dados resiliente a picos inesperados

Quando o cluster escala errado, quem paga é o banco de dados — e aí nasce a **dívida técnica mais cara**: incidentes silenciosos de performance, difícil rastreabilidade e um grafo de dependências que ninguém mais entende.

A Solução Pragmática: Simplifique antes de orquestrar

A saída não é abolir o Kubernetes. É entendê-lo no contexto de negócio. Se sua empresa não tem tráfego imprevisível e não faz deploy contínuo de centenas de serviços por dia, você provavelmente não precisa de um cluster com 40 operadores rodando de fundo.

Pragmatismo significa:

  • Usar plataformas que escondem a complexidade quando faz sentido (como Fury ou soluções gerenciadas).
  • Deixar o Kubernetes para times com maturidade real em observabilidade e automação.
  • Evitar o over-engineering: container não é desculpa para transformar seu banco em um pesadelo distribuído.

Implementação de Sênior: Observabilidade antes de escalar

Quer evitar que o Kubernetes destrua seu banco? Monitore o impacto de cada microserviço no cluster e no banco antes de liberar autoscaling.

Aqui vai um exemplo realista de configuração HPA com limites seguros e um endpoint bem definido para health check:

apiVersion: autoscaling/v2
kind: HorizontalPodAutoscaler
metadata:
  name: pedidos-hpa
spec:
  scaleTargetRef:
    apiVersion: apps/v1
    kind: Deployment
    name: pedidos-service
  minReplicas: 2
  maxReplicas: 6
  metrics:
    - type: Resource
      resource:
        name: cpu
        target:
          type: Utilization
          averageUtilization: 60
---
apiVersion: v1
kind: Service
metadata:
  name: pedidos-liveness
spec:
  selector:
    app: pedidos
  ports:
    - port: 8080
      targetPort: 8080
---
# Exemplo de endpoint real para saúde do serviço
# (Node.js apenas como referência)
const express = require('express');
const app = express();

app.get('/health', async (req, res) => {
  const dbOk = await pingDatabase();
  if (!dbOk) return res.status(500).send('DB-error');
  res.send('OK');
});

Esse é o mínimo para não transformar o cluster em um canhão apontado diretamente para o seu banco.

Direto das Trincheiras

  • Evite autoscaling sem proteção no banco: ele vai escalar antes do seu RDS/CloudSQL conseguir acompanhar.
  • Reduza microserviços que só existem para atender diagramas bonitos — serviços “finos demais” explodem o tráfego interno.
  • Antes de migrar para Kubernetes, descubra o que realmente dói: implantação? resiliência? rastreabilidade? Kubernetes não resolve cultura ruim.

O Custo da Escolha: Kubernetes não é neutro

Adotar Kubernetes cedo demais cria uma dívida técnica operacional difícil de pagar. Mas ignorá-lo quando o negócio exige escala agressiva também é um erro caro.

Você precisa entender quando:

  • Usar: seu tráfego é volátil, você faz centenas de deploys/dia, e seu time domina automação.
  • Evitar: você só quer subir meia dúzia de serviços e manter o banco saudável.

No fim, a questão não é Kubernetes. É maturidade.

Fontes

30.000 deploys diários: desvendando os segredos do Mercado Livre

Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!

Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descascamos outros hypes da nossa área.

Valeu e até a próxima! 😉

Facebook
Twitter
LinkedIn
A Emoção no Desenvolvimento de Software

O Paradoxo Ágil: Quando Correr Mais Significa Entregar Menos

Velocidade sem qualidade é só combustível pro retrabalho. Neste artigo eu destrincho, sem gourmetização, o paradoxo que assombra times ágeis: entregar rápido sem transformar o backlog em um cemitério de bugs e dívidas técnicas. Como arquiteto nas trincheiras, explico por que agilidade não é sinônimo de pressa e mostro práticas reais — nada de hype — para estabilizar fluxo, proteger qualidade e parar de brincar de apostar contra a própria equipe.

DevOps

Implantação Contínua com Kubernetes: O Campo Minado que Ninguém Te Conta

Kubernetes não é o vilão — o problema é fingir que implantação contínua vira mágica só porque você criou meia dúzia de YAMLs. Neste artigo, explico onde os times realmente se queimam, por que pipelines quebram no meio do caminho, e quais decisões de arquitetura viram dívidas técnicas silenciosas. Sem gourmetização, sem hype: só o que realmente importa para rodar CD de verdade em produção.

Refatoração de código

Quando a Refatoração Vira Areia Movediça em Arquiteturas de Microserviços

Refatorar é importante, mas transformar isso em rotina cega pode virar um buraco negro em ambientes distribuídos. Neste artigo eu, Rei Nascimento, mostro por que a refatoração contínua pode corroer equipes, criar microserviços frágeis e desacelerar escala. Vamos direto ao ponto, sem gourmetização.

1 comentário em “Kubernetes: Quando a Promessa de Escala Vira Dívida Técnica em Microserviços”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *