A Dor Real: Quando o Kubernetes vira mais problema do que solução
Dev que já rodou sistemas nas trincheiras sabe: **nem toda aplicação nasce para ter um cluster próprio**. O hype do Kubernetes empurra times para ambientes que exigem SRE, pipelines maduros, observabilidade estruturada e um ecossistema de tooling que nenhum MVP precisa nos primeiros meses.
O resultado? Velocidade cai. Dívida técnica explode. E o time passa mais tempo lutando contra a plataforma do que construindo produto.
Em muitos casos, o Kubernetes vira over-engineering disfarçado de modernidade.
A Solução Pragmática: Reduzir a superfície operacional
Antes de abrir um cluster, faça a pergunta que quase ninguém tem coragem de fazer: **essa aplicação realmente precisa de um orquestrador full stack?**
Em 70% dos novos projetos, a resposta é não. Soluções como plataformas serverless, containers gerenciados ou até um simples orchestrator minimalista (Nomad, ECS Fargate) entregam o suficiente com menos atrito.
Mesmo quando o roadmap prevê escalabilidade, começar simples sempre reduz custo cognitivo e aumenta a agilidade do time.
Implementação de Senior: Simplicidade primeiro
Aqui vai um exemplo realista: você quer rodar um serviço Go simples sem entrar no buraco infinito de YAMLs. Em vez de começar com Deployments, Services, Ingress, Secrets, RBAC… você começa com um pipeline minimalista e deploy gerenciado.
# Exemplo de definicão mínima para rodar uma aplicação em ECS Fargate
# Sem expor o time ao caos inicial do Kubernetes
resource "aws_ecs_task_definition" "app" {
family = "servico-api"
requires_compatibilities = ["FARGATE"]
cpu = "256"
memory = "512"
container_definitions = jsonencode([
{
name = "api"
image = "123456789.dkr.ecr.sa-east-1.amazonaws.com/api:latest"
portMappings = [{ containerPort = 8080 }]
}
])
}
Simples, direto, focado em entregar valor. Quando — e somente quando — o produto justificar, você evolui para Kubernetes com maturidade.
Direto das Trincheiras
- Se você precisa de Kubernetes no MVP, provavelmente o problema não é técnico — é organizacional.
- Clusters pequenos são fáceis de criar e difíceis de manter. O tempo cobra.
- Agilidade não é compatível com stack que exige especialistas para rodar o básico.
O Custo da Escolha: Pagar o preço ou evitar a fatura?
**Optar por Kubernetes cedo demais significa pagar juros altos em velocidade.**
Você ganha elasticidade e padronização, mas perde simplicidade e foco no negócio. Já evitar Kubernetes no início traz risco de migração futura — mas esse risco é controlável e geralmente compensa o ganho no início do projeto.
Fontes Referenciadas
O mito de que Kubernetes é complexo é enganoso,
O que é uma Nuvem Híbrida?
Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!
Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos no blog reymaster.dev.br, onde descascamos outros hypes da nossa área.
Valeu e até a próxima! 😉


