A Ilusão da Simplicidade nos Microserviços: O Preço Que Você Não Vê, Mas Paga

Onde o Dev Se Queima de Verdade

Microserviços parecem simples no pitch: cada serviço faz uma coisa só. O problema é que, fora das apresentações, essa “simplicidade” vira um monstro de dependências, latências, filas, versionamentos e contratos quebrados. **O caos distribuído é mais caro que o monolito mal escrito.**

Muita equipe cai nessa armadilha porque vê empresas gigantes usando Kubernetes, malhas de serviço e tópicos Kafka. Só esquecem de um detalhe: essas empresas têm times inteiros só para manter isso vivo. Startup com cinco devs não tem esse luxo.

Navegando no Caos: Um Caminho Pragmático

A solução não é demonizar microserviços, mas entendê-los como ferramenta de contexto. Se o problema é escala isolada, pipeline independente ou domínio realmente separado, eles fazem sentido. Caso contrário, o monolito modular geralmente entrega mais com menos.

Use microserviços quando:

  • Sua equipe domina observabilidade, tracing e SRE.
  • O domínio é naturalmente fragmentado.
  • O custo da coordenação distribuída já é esperado pelo negócio.

Use monolito quando:

  • Você quer entrega rápida.
  • O tráfego não justifica cluster.
  • Seu time não tem especialização em infraestrutura distribuída.

Implementação de Sênior: Contratos Claros ou Caos

Quem já sofreu com microserviços sabe: o que quebra não é o código, é o contrato. A seguir, um exemplo real de contrato OpenAPI para comunicação limpa entre serviços.

openapi: 3.0.3
info:
  title: PedidoService API
  version: 1.0.0
paths:
  /pedidos/{id}:
    get:
      summary: Recupera um pedido
      parameters:
        - name: id
          in: path
          required: true
          schema:
            type: string
      responses:
        200:
          description: Pedido encontrado
          content:
            application/json:
              schema:
                $ref: '#/components/schemas/Pedido'
        404:
          description: Pedido não encontrado
components:
  schemas:
    Pedido:
      type: object
      properties:
        id:
          type: string
        valor:
          type: number
        status:
          type: string

Esse contrato impede que um serviço atualize seu payload sem avisar o outro. É o tipo de prática que diferencia microserviços funcionais de microserviços que quebram na sexta à noite.

O Custo da Escolha: A Fatura Que Chega Mais Tarde

Todo estilo arquitetural cobra um preço.

Custos ao adotar microserviços:

  • Infra complexa (mesh, ingress, filas, logs centralizados).
  • Observabilidade obrigatória (tracing, dashboards, alarmes).
  • Deploys simultâneos e pipelines duplicados.
  • Mais pontos de falha por rede.

Custos ao NÃO adotar microserviços:

  • Escala limitada a um único bloco.
  • Deploy global para qualquer mudança pequena.
  • Dificuldade de isolar domínios grandes.

Nenhum caminho é grátis. O ponto é: **você está pagando por um problema que ainda não existe?**

Direto das Trincheiras

  • Se você precisa de Kubernetes para rodar seu MVP, você não precisa de microserviços — você precisa de foco.
  • Trace todas as chamadas entre serviços. Se você não sabe quantos hops uma requisição dá, você está no escuro.
  • Comece com um monolito modular e extraia microserviços conforme a dor real aparece, não conforme o hype manda.

Fontes

O que é Kubernetes e por que é exagero para a maioria dos projetos

Rest, GraphQL ou gRPC?

Fim dos Silos: Como a Unificação de Dados Está Transformando o …

Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!

Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descascamos outros hypes da nossa área.

Valeu e até a próxima! 😉

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2 comentários em “A Ilusão da Simplicidade nos Microserviços: O Preço Que Você Não Vê, Mas Paga”

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