A Dor Real: Quando Microserviços Viram um Exército Desconectado
Equipes apostam em microserviços para ‘ganhar agilidade’, mas o que recebem é um festival de instabilidades, certificados expirando, filas congestionadas e time de SRE virando babá de infraestrutura.
A verdade incômoda: você não ganha autonomia quando cada serviço depende de 12 outros, cada um com sua própria identidade de máquina, regras de comunicação e ciclo de vida.
Ambientes complexos com dispositivos heterogêneos — como bem apontam estudos sobre IoT e infra mista — amplificam o problema: múltiplas identidades de máquina, certificados com vida útil mais curta e falhas invisíveis criam uma camada de fricção que destrói qualquer promessa de velocidade.
Como Recuperar o Controle: Arquitetura com Conexões Determinísticas
Microserviços não são o vilão. O problema é a ausência de contrato claro entre eles. Se cada equipe decide como expõe API, como autentica, como valida tráfego, você cria over-engineering distribuído.
O caminho pragmático começa com três pilares:
- Contratos explícitos
- Governança mínima, mas rígida
- Controle real das identidades de máquina
O mínimo aceitável para sobreviver: padronize APIs com OpenAPI, valide dependências, e mantenha ciclo de certificados sob domínio preventivo.
Implementação de Sênior: Contrato OpenAPI Real Entre Serviços
A seguir, um contrato OpenAPI funcional que define comunicação entre dois serviços críticos: Billing e Order. Ele obriga padronização e reduz fricção técnica.
openapi: 3.1.0
info:
title: Order-Billing Integration
version: 1.0.0
paths:
/orders/{orderId}/charge:
post:
summary: Executa cobrança vinculada ao pedido
parameters:
- name: orderId
in: path
required: true
schema:
type: string
requestBody:
required: true
content:
application/json:
schema:
type: object
properties:
amount:
type: number
currency:
type: string
responses:
'200':
description: Cobrança realizada
'400':
description: Erro de validação
'503':
description: Serviço de pagamento indisponível
Com esse contrato, cada serviço passa a ter menos liberdade perigosa e mais previsibilidade — o que realmente gera agilidade.
Direto das Trincheiras
- Se não existe contrato entre serviços, você não tem arquitetura — só um conjunto de deploys independentes brigando entre si.
- Ambientes com identidades de máquina mal gerenciadas criam falhas intermitentes impossíveis de reproduzir em staging — trate certificados como dependências críticas.
- Antes de quebrar um monolito, entenda se o problema é estrutura ou cultura. Grande parte das dores de “agilidade” vem de processos, não de arquitetura.
O Custo da Escolha: Microserviços Adiantam ou Atrasam?
Optar por microserviços sem maturidade operacional tem preço alto: explosão de incidentes, acoplamentos invisíveis e mais pessoas apagando incêndios do que entregando valor.
Optar por não adotar microserviços também tem custo: domínios grandes demais, deploys lentos e times brigando pelo mesmo monólito.
A escolha certa não é técnica — é de contexto de negócio. E se você não olhar para ele, vai pagar a conta do hype.
Fontes utilizadas
Falhas de Identidade de Máquina: Riscos e Impactos em TI, capítulo 5 – segmentos tecnológicos e aplicações – repositorio ipea
Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!
Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descasquemos outros ‘hypes’ da nossa área.
Valeu e até a próxima! 😉


