GraphQL em Microservices: A Simplicidade que Engana

Quando o ‘one endpoint to rule them all’ vira armadilha

GraphQL promete liberdade: um único endpoint, queries flexíveis, payload sob demanda. No monolito, essa liberdade funciona. Em microservices, ela vira um convite ao caos.

O problema real: o front quer simplicidade, mas o backend paga a conta.

Quando cada query vira uma orquestração entre múltiplos serviços, o gateway GraphQL vira um mini-monólito disfarçado. A dor explode quando uma query aparentemente inocente dispara 12 chamadas internas. E claro: quando algo quebra, ninguém sabe onde começa a culpa — no gateway, no schema, no resolver ou no microservice downstream.

Como reduzir o estrago com uma arquitetura pragmática

O caminho maduro não é abandonar GraphQL — é usá-lo com consciência. Em microservices, o ganho está em tratá-lo como uma API de composição, não como um hub mágico que resolve tudo.

A regra é simples: schema fino, lógica fora.

Isso significa:

  • Resolvers que delegam, não pensam.
  • Orquestração movida para serviços especializados.
  • GraphQL como camada de agregação, não como motor de negócio.

Implementação sênior: Gateway GraphQL com federation e resolvers enxutos

Abaixo um exemplo realista usando Apollo Federation — foco na composição, não na magia.

# products-service/schema.graphql
extend type Query {
  product(id: ID!): Product
}

type Product @key(fields: "id") {
  id: ID!
  name: String!
  price: Float!
}
// products-service/resolvers.js
module.exports = {
  Query: {
    product: (_, { id }, { dataSources }) =>
      dataSources.productsAPI.getProductById(id)
  },
  Product: {
    __resolveReference(product, { dataSources }) {
      return dataSources.productsAPI.getProductById(product.id);
    }
  }
};
// gateway/index.js
import { ApolloServer } from '@apollo/server';
import { ApolloGateway } from '@apollo/gateway';

const gateway = new ApolloGateway({
  serviceList: [
    { name: 'products', url: 'http://products-service/graphql' },
    { name: 'users', url: 'http://users-service/graphql' }
  ]
});

const server = new ApolloServer({ gateway });
server.listen(4000);

Nada de regra de negócio no resolver, nada de transformação complexa de dados. O gateway apenas compõe o que os serviços realmente sabem fazer. Simples, claro, sustentável.

O preço de cada escolha: nem GraphQL é bala de prata, nem REST é santo

Usar GraphQL em microservices custa:

  • Gateway hipertrofiado se a equipe não tiver disciplina.
  • Debugging mais difícil quando uma query dispara cascatas internas.
  • Observabilidade mais cara por causa do tracing distribuído.

Mas evitar GraphQL também custa:

  • REST vira colcha de retalhos de endpoints altamente acoplados ao front.
  • Over-fetching e under-fetching voltam com força.
  • Mais payload, mais tráfego, mais latência.

O ponto é simples: não escolha GraphQL por modinha. Escolha por contexto de negócio.

Direto das Trincheiras

  • Evite resolver joins no gateway. Se dois serviços vivem se relacionando, eles provavelmente fazem parte do mesmo bounded context.
  • Traceamento é obrigatório. Jaeger e OpenTelemetry salvam sua sanidade quando o caos começa.
  • Monitore resolvers lentos. Esses são os responsáveis por 90% do sofrimento antes do deploy.

Fontes Relacionadas

Rest, GraphQL ou gRPC? – guireisbr.dev,GraphQL para iniciantes – Medium

Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!

Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descasquemos outros ‘hypes’ da nossa área.

Valeu e até a próxima! 😉

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