Código Sujo: O Imposto Que Devs Pagam Sem Perceber

Onde o código vira uma armadilha

Todo mundo já abriu um arquivo e pensou: “Quem escreveu isso aqui me odiava pessoalmente”. Classes enormes, funções com 200 linhas, nomes que não dizem nada. O clássico legado onde cada ajuste vira percussão: mudou um ponto, treme o sistema inteiro.

**Código sujo não escala. Ele só acumula juros.**

Em sistemas complexos, a falta de legibilidade não é apenas incômodo técnico — é risco de negócio. Mais risco significa mais medo. E mais medo significa deploys cada vez mais raros e caros.

Como parar a sangria com pragmatismo

Não precisa reescrever o mundo. Precisa só parar de piorar a situação e aplicar algumas regras simples, totalmente alinhadas ao Clean Code clássico: funções pequenas, nomes que explicam a intenção, ausência de duplicação e limites bem definidos entre responsabilidades.

**O objetivo é reduzir entropia, não ostentar padrões.**

Implementação de Senior: exemplo real de limpeza progressiva

A seguir, um exemplo pequeno mas comum: uma classe cheia de responsabilidades, impossível de testar e frágil ao toque.

Antes:

class OrderService {    constructor(repo, notifier) {        this.repo = repo;        this.notifier = notifier;    }    process(order) {        if (!order.items || order.items.length === 0) {            throw new Error("Pedido vazio");        }        let total = 0;        for (const i of order.items) {            total += i.price * i.qty;        }        order.total = total;        this.repo.save(order);        this.notifier.send("Novo pedido registrado", order.customerEmail);    }}

Depois: mais legível, mais testável, ainda simples. Zero over-engineering.

class OrderCalculator {    calculate(order) {        return order.items        .map(i => i.price * i.qty)        .reduce((a, b) => a + b, 0);    }}class OrderService {    constructor(repo, notifier, calculator) {        this.repo = repo;        this.notifier = notifier;        this.calculator = calculator;    }    process(order) {        if (!order.items?.length) {            throw new Error("Pedido vazio");        }        order.total = this.calculator.calculate(order);        this.repo.save(order);        this.notifier.send("Novo pedido registrado", order.customerEmail);    }}

Nada rebuscado. Apenas **separação de responsabilidades** — e o código já respira.

O preço de fingir que legibilidade não importa

Ignorar legibilidade tem custos claros:

  • Retrabalho constante porque ninguém entende o impacto das mudanças
  • Testes frágeis e lentos
  • Onboarding demorado de novos devs
  • Arquiteturas que viram museus de remendos

Mas também há o custo de limpar: tempo, disciplina e alinhamento da equipe. A diferença? Esse investimento paga dividendos.

Direto das Trincheiras

  • Regra prática: se você precisa explicar oralmente o que o código faz, o código está errado.
  • Não tente salvar tudo de uma vez. Limpeza progressiva vence refatorações gigantes.
  • Dívida técnica não é pecado. Pecado é fingir que ela não existe.

Fontes

Meme de programação dupla : r/ProgrammerHumor, Conheça os principais pontos chaves do Clean Code | by Gabriel …

Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!

Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descascamos outros “hypes” da nossa área.

Valeu e até a próxima! 😉

Facebook
Twitter
LinkedIn
Domain Driven Design

O Mito do Event Loop: Por que Dev Sênior Não Cai Mais Nesse Conto

O Event Loop virou aquele “monstro do armário” que todo dev jura que entende, mas na hora do vamos ver trava o sistema com um `await` mal colocado. Neste artigo eu destrincho, sem gourmetização, por que o Event Loop virou mito clássico, onde ele realmente queima projetos e como usar DDD para não transformar um problema de I/O em caos arquitetural. É direto, pragmático e sem idolatrar hype.

Como Ser Um Programador Excelente

O Lado Sombrio dos Eventos Assíncronos no Node.js: Onde Seu Código Vira Refém

Eventos assíncronos no Node.js são poderosos, mas também um terreno minado. Já vi muita aplicação virar um monstro difícil de depurar por causa de chain de callbacks, listeners ocultos e filas que crescem até explodir a memória. Neste artigo, assumo o lado direto e pragmático: explicar onde a coisa dá errado, como evitar over-engineering e mostrar uma implementação madura que não vira dívida técnica amanhã.

Frontend

Desmistificando a Sobrecarga no Frontend: Quando a Reatividade Vira Gargalo

Reatividade demais vira passivo. No frontend moderno, o hype de ‘tudo precisa reagir a tudo’ criou interfaces frágeis, lentas e difíceis de manter. Como arquiteto que já viu SPA colapsando por excesso de watchers, signals mal usados e stores replicados sem critério, este artigo corta o ruído e entrega o que realmente importa: como evitar a reatividade excessiva e construir UIs que não desmoronam no primeiro pico de uso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *