A chama que queima dev sênior: a falsa simplicidade
O problema começa quando alguém na empresa solta: “Vamos para microserviços, então precisamos de Kubernetes”. Esse é o tipo de frase que cria dívida técnica antes mesmo de existir código. O mito da simplicidade nasce porque K8s abstrai muita coisa, mas você paga o preço em operacionalidade, debugging, redes, políticas, segurança e monitoramento.
**Kubernetes não é complexo por definição — ele é complexo porque tenta resolver problemas que poucas empresas realmente têm.**
Times imaturos embarcam achando que é só dar apply num YAML e a mágica acontece. A realidade: troubleshooting distribuído, quedas silenciosas, pods reiniciando, readiness gates quebrando e um cluster que vira uma entidade viva e temperamental.
Como resolver: tratar Kubernetes como ferramenta de contexto, não de hype
A solução pragmática é simples: usar Kubernetes somente quando há uma necessidade real de escalabilidade horizontal, isolamento e resiliência distribuída. Caso contrário, você está trazendo um tanque de guerra para regar plantas.
O critério de decisão que uso é direto:
- Se você tem poucos serviços monolíticos bem definidos: Kubernetes NÃO é sua ferramenta.
- Se você tem dezenas de serviços independentes, deployment contínuo e tráfego variável: Kubernetes FAZ sentido.
**Decisão baseada no contexto de negócio. Não baseada em palestras de conferência.**
Implementação de Sênior: o mínimo necessário para rodar sem dor
Quer usar Kubernetes? Então você precisa saber o mínimo que um dev experiente realmente usa no dia a dia. Nada de YAMLs gourmetizados com features obscuras.
apiVersion: apps/v1
kind: Deployment
metadata:
name: service-api
spec:
replicas: 3
selector:
matchLabels:
app: service-api
template:
metadata:
labels:
app: service-api
spec:
containers:
- name: api
image: registry.dev/service-api:1.0
ports:
- containerPort: 8080
readinessProbe:
httpGet:
path: /healthz
port: 8080
---
apiVersion: v1
kind: Service
metadata:
name: service-api
spec:
type: ClusterIP
selector:
app: service-api
ports:
- port: 80
targetPort: 8080
Isso é o coração da orquestração real. Sem invenção. Sem camadas mágicas. Apenas o necessário para um serviço funcionar bem.
Direto das trincheiras
- **Evite microserviços prematuros.** Muitas dores do Kubernetes surgem porque o projeto não deveria estar distribuído.
- **Tenha observabilidade antes de migrar.** Sem métricas e logs decentes, o cluster vira um buraco negro de debugging.
- **Mantenha o cluster simples.** Nada de operadores exóticos ou sidecars desnecessários antes de validar maturidade.
O custo real: usar ou não usar Kubernetes
Se optar por usar Kubernetes sem necessidade, paga caro: mais gente para operar, mais infraestrutura, mais ferramentas, mais ruído. Over‑engineering puro.
Se optar por NÃO usar quando deveria, você cria gargalos, ambientes difíceis de escalar e dor operacional para o time de SRE.
**Todo caminho tem custo. A diferença está em escolher aquele que o negócio realmente sustenta.**
Fontes
O mito de que “Kubernetes é complexo” é enganoso e precisa …, O que é Kubernetes e por que é exagero para a maioria dos …, Não consigo entender Docker e Kubernetes na prática : r/devops
Obrigado por acompanhar essa reflexão até o fim!
Espero que esses pontos ajudem você a tomar decisões mais lúcidas no seu próximo projeto. Não deixe de conferir outros artigos aqui no blog, onde descascamos outros hypes da nossa área.
Valeu e até a próxima! 😉



1 comentário em “Kubernetes não é simples — e é exatamente aí que muita equipe se perde”
Essa complexidade do K8s é real. Exatamente por isso que nossa stack virou um inferno semana passada. A gente subestimou demais o custo operacional.